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VPN, proxy ou Tor: de qual precisas realmente

Autor: Sydney Rossum-Ritch

As VPN, os proxies e o Tor são muitas vezes metidos no mesmo saco como «ferramentas para esconder o IP», o que é um pouco como agrupar bicicletas, motas e comboios como «coisas com rodas». A característica comum é real, mas esconde diferenças muito maiores em âmbito, velocidade e modelo de ameaças.

Se só tiveres tempo para a versão curta: uma VPN é a resposta certa para quase toda a gente, quase sempre. Um proxy é a resposta certa para um caso de uso específico: mudar a localização aparente de uma aplicação ou de um navegador sem afetar mais nada no teu computador. O Tor é a resposta certa quando a vigilância hostil ao nível de um Estado faz parte do teu modelo de ameaças e aceitas, em troca, velocidades muito baixas.

Segue-se a versão longa.

O que cada um faz (um parágrafo para cada)

Uma VPN cria um túnel encriptado entre o teu dispositivo e um servidor VPN. Todas as aplicações do teu dispositivo — navegadores, jogos, aplicações de mensagens, atualizações em segundo plano — usam esse túnel. Os sites veem o IP do servidor VPN, não o teu. O conteúdo do teu tráfego vai encriptado do teu dispositivo até ao servidor VPN; aí é desencriptado e enviado normalmente para o destino.

Um proxy é semelhante no conceito, mas cobre apenas a aplicação que está configurada para o usar (na maioria dos casos, um navegador). As outras aplicações do teu computador continuam a usar a tua ligação real. A maioria dos proxies não encripta o tráfego — limita-se a reencaminhá-lo. O HTTPS continua a encriptar o conteúdo do que envias, mas o operador do proxy vê a que sites te ligas.

O Tor encaminha o teu tráfego através de três servidores escolhidos aleatoriamente (chamados relays, ou retransmissores), em que cada relay conhece apenas o salto anterior e o seguinte da cadeia. O primeiro relay sabe quem és, mas não o que estás a fazer; o último sabe o que estás a fazer, mas não quem és; nenhum relay consegue, sozinho, ligar as duas coisas. O Tor é encriptado em cada salto e funciona como uma rede descentralizada de voluntários, não como uma empresa.

Quando é que cada um é a resposta certa

Usa uma VPN quando quiseres:

  • Ligações encriptadas em redes públicas ou que não são de confiança.
  • Sair por outro país para streaming, notícias ou acesso a serviços com restrições geográficas.
  • Uma ligação estável e rápida, partilhada por todas as tuas aplicações.
  • Uma única subscrição que proteja todos os teus dispositivos.

Usa um proxy quando quiseres:

  • Que um separador específico do navegador pareça vir de outro país, enquanto tudo o resto no teu computador usa a ligação normal. (Útil para testes de controlo de qualidade, web scraping ou para manter lado a lado várias sessões de regiões diferentes.)
  • Uma configuração extremamente leve, sem nenhuma aplicação para instalar.

Usa o Tor quando quiseres:

  • Proteção forte contra um adversário capaz de observar tanto a tua rede como a rede de destino.
  • Acesso a serviços .onion que só existem dentro da rede Tor.
  • Negação plausível quanto a quem és, para lá do que um fornecedor de VPN pode prometer.

Como é que cada um falha

Esta é a parte que mais importa na hora de escolher.

Uma VPN confia no fornecedor de VPN. O fornecedor consegue ver (em princípio) que sites visitas, embora não consiga ver o que fazes nesses sites. É por isso que a política de «não registo» e a jurisdição são tão importantes numa VPN — vê o nosso guia sobre VPN sem registos. Uma VPN não protege contra malware no teu dispositivo, contra a impressão digital do navegador nem contra o facto de teres sessão iniciada numa conta que já conhece a tua identidade.

Um proxy confia tudo ao operador do proxy. A maioria dos proxies gratuitos não é segura: conseguem ler todas as páginas que visitas (quando não usas HTTPS), injetar anúncios e recolher credenciais. Também não cobrem as aplicações fora do navegador configurado, por isso uma fuga a partir de qualquer outra aplicação expõe o teu IP real. Os proxies são úteis como ferramenta e perigosos como opção por omissão.

O Tor é lento e confia nos relays de entrada e de saída. A largura de banda é partilhada por milhares de utilizadores; uma ligação Tor típica tem 1–2 Mbps. O relay de saída vê o teu tráfego desencriptado para sites sem HTTPS (tal como um proxy). O relay de entrada vê que tu és utilizador do Tor, o que em alguns países é, por si só, um sinal de alerta. Streaming, videochamadas e transferências de grande dimensão são impraticáveis através do Tor.

As configurações híbridas (raramente compensam a complexidade)

Por vezes, nos fóruns de privacidade, vais ver recomendações de «VPN sobre Tor» ou «Tor sobre VPN». Em resumo:

  • VPN → Tor (o teu tráfego sai pelo Tor): esconde do teu fornecedor de internet que usas o Tor. É útil em países que monitorizam as ligações ao Tor. O fornecedor de VPN vê que estás a usar o Tor; os nós de saída do Tor veem tráfego normal.
  • Tor → VPN (o teu tráfego entra pelo Tor e sai pela VPN): permite-te usar uma conta de VPN de forma anónima e impede os nós de saída do Tor de verem a tua atividade real. Acrescenta à cadeia uma conta de VPN em teu nome verdadeiro, o que enfraquece o anonimato que o Tor oferecia.

Ambas são mais lentas do que qualquer uma das ferramentas isoladamente, e a maioria dos utilizadores não precisa delas. Se o teu modelo de ameaças o exigir de facto, devias estar a ler a documentação do Tor Project, e não um artigo de blogue.

Tabela de comparação rápida

| | VPN | Proxy | Tor | |---|---|---|---| | Cobre todas as aplicações do dispositivo | ✅ | ❌ (por aplicação) | ✅ (com o navegador Tor) | | Encripta o tráfego | ✅ | ❌ (a maioria não) | ✅ | | Velocidade | Rápida | Rápida | Lenta | | Confias em | Fornecedor | Operador | Arquitetura da rede | | Escolha do país | ✅ | Limitada | ❌ (saída aleatória) | | Custo | Subscrição ou plano gratuito | Gratuito / barato | Gratuito | | Ideal para | Uso diário, streaming, segurança | Uso pontual só no navegador | Anonimato quando há muito em jogo |

Perguntas frequentes

Preciso de uma VPN se já uso o Tor?

Na maioria dos casos, não. O Tor e uma VPN resolvem problemas que se sobrepõem, e combiná-los acrescenta lentidão sem grande ganho de segurança. A exceção são os países onde ser visto a ligar-se ao Tor é, por si só, arriscado — aí, uma VPN à frente do Tor acrescenta negação plausível.

Posso usar um proxy gratuito em vez de pagar por uma VPN?

Para mudar uma vez o país aparente num separador do navegador, sim. Para privacidade no dia a dia em todas as aplicações, não. Os proxies gratuitos são demasiado inseguros e têm uma cobertura demasiado limitada para serem um verdadeiro substituto.

O Tor é ilegal?

Em quase todos os países, não — o Tor é software de código aberto com muitas utilizações legítimas, incluindo jornalismo, ativismo e contorno da censura. Um punhado de países (China, Irão e, por vezes, Rússia) bloqueia ativamente o Tor. Usá-lo nesses locais é tecnicamente possível com pontes (bridges), mas implica riscos diferentes.

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